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Biotecnologias da reprodução: como elas estãotransformando a pecuária brasileira

Atualizado: 15 de dez. de 2025

Matéria da Dra. Brenda Lima - veterinária


O Brasil possui um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, com cerca de 238 milhões de cabeças, segundo dados mais recentes do IBGE. Isso coloca o país em posição de destaque global na produção de carne, impulsionando o uso de tecnologias que aumentam a eficiência do rebanho e garantem bem-estar animal.


Nos últimos anos, diversas biotecnologias da reprodução se tornaram parte da rotina das fazendas, permitindo maior controle sobre os ciclos produtivos, avanço genético e resultados mais previsíveis, que são elementos fundamentais para a pecuária moderna. IATF: a ferramenta que revolucionou o manejo reprodutivo A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) é, hoje, a tecnologia reprodutiva mais utilizada nas propriedades brasileiras.


Ela funciona por meio da sincronização do ciclo estral das vacas com o uso de hormônios, permitindo que todas as fêmeas sejam inseminadas em um período determinado, sem depender da observação do cio. Esse modelo traz uma série de vantagens: facilita o manejo no dia da inseminação; permite planejar a época dos nascimentos; melhora o desempenho reprodutivo do rebanho; reduz riscos de lesões e doenças ligadas à monta natural;


aumenta a eficiência da mão de obra. Não é à toa que a IATF responde por 91,8% de todas as inseminações realizadas no Brasil, de acordo com dados da ASBIA. Protocolos atuais chegam a atingir mais de 50% de taxa média de prenhez, o que reforça o impacto positivo da técnica no calendário reprodutivo das fazendas. Com a IATF, ainda é possível realizar ressincronização, permitindo novas tentativas de prenhez em vacas que não conceberam na primeira rodada, o que é algo especialmente vantajoso em sistemas que buscam intervalos entre partos mais curtos. FIV e Transferência de Embriões: o salto genético da pecuária Além da IATF, outras tecnologias vêm ganhando espaço e ampliando as possibilidades para os produtores. Entre elas, a Fertilização In Vitro (FIV), também chamada de Produção In Vitro de Embriões (PIVE/IVP), e a Transferência de Embriões (TE).


O Brasil se destaca na produção de embriões in vitro. Apesar disso, seu uso ainda é concentrado em propriedades voltadas ao melhoramento genético, já que os custos são maiores e o manejo demanda maior nível técnico. Essas ferramentas permitem: multiplicar rapidamente a genética de vacas superiores; produzir bezerros de altíssimo valor zootécnico; avançar gerações de seleção em menos tempo; melhorar características como desempenho, rusticidade e qualidade de carcaça. Relatórios mostram que, entre 2005 e 2015, cerca de 19,7% dos bezerros registrados pela ABCZ eram oriundos de transferência de embriões — um índice expressivo que demonstra o impacto desse tipo de tecnologia em rebanhos de elite.


Por que essas tecnologias importam para o futuro da pecuária? A adoção de biotecnologias reprodutivas vai além de aumentar taxas de prenhez ou produzir animais mais valorizados. Elas são fundamentais para construir uma pecuária: mais produtiva; mais sustentável; mais competitiva internacionalmente; mais alinhada ao bem-estar animal; mais eficiente no uso de recursos. Ao permitir planejamento, padronização dos ciclos e controle sobre o desempenho reprodutivo, essas ferramentas tornam a produção mais previsível e ajudam o produtor a se adaptar às exigências de um mercado cada vez mais técnico e seletivo.


As biotecnologias da reprodução já fazem parte da realidade de muitas propriedades brasileiras e tendem a se expandir ainda mais. A IATF segue como protagonista, pela praticidade e impacto direto nos índices reprodutivos. A FIV e a transferência de embriões, por sua vez, impulsionam o avanço genético e posicionam o Brasil entre os países mais inovadores do mundo nesse setor. Em um cenário de constante evolução, investir nessas tecnologias significa não apenas acompanhar o mercado, mas também assegurar um rebanho mais eficiente, saudável e competitivo.






 
 
 

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